Por que os brasileiros preferem o atacarejo?

Por que os brasileiros preferem o atacarejo?

O modelo “cash & carry”, mais conhecido como atacarejo, vem se fortalecendo no Brasil como alternativa aos supermercados tradicionais. Tanto é que 46% dos domicílios fazem compras nesse tipo de loja, segundo pesquisa da consultoria Nielsen realizada em 2016. No ano anterior, esse número era de 40%.

Na direção oposta, a penetração de supermercados caiu de 37,7% para 35,9%, e a de hipermercados, de 43,6% para 40,5%.

Quando se trata de volume de vendas, o atacarejo também foi o único que apresentou bons resultados com expansão de 14,4%, enquanto as redes convencionais amargaram queda de 3,5%.

E foram justamente os atacarejos que seguraram a “onda” das grandes redes. O Atacadão, por exemplo, respondeu por cerca de 60% das vendas do Carrefour Brasil, em 2015. Já o Assaí representou 34% do resultado do Grupo Pão de Açúcar.

Mas por que o atacarejo faz tanto sucesso?

O principal atrativo, sem dúvida, é o preço. Em um atacarejo, o consumidor gasta 6% a menos do que em uma compra realizada em um hipermercado, levando aproximadamente 15% a mais de itens. Geralmente, para conseguir um preço unitário menor, o consumidor precisa levar uma quantidade mínima do item, fazendo o estoque girar mais rapidamente.

Com custo fixo menor e focado em produtos mais baratos, o atacarejo ainda tem, em média, 34% menos SKUs do que os encontrados nas grandes redes. Entre os produtos mais procurados no canal estão biscoitos, cafés, chocolates e cereais.

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Em tempos de alto índice de desemprego e queda na renda, economizar é fator fundamental para as famílias, inclusive as de classe A e B, que respondem por 33,4% dos frequentadores desse canal – a classe C representa 46,7% do fluxo.

Porém, mesmo com preços atrativos, alguns pontos precisam ser revistos pelos gestores de atacarejo para não afastar a clientela: 32% dos consumidores apontam a desorganização como o pior problema em fazer compras neste modelo de loja, de acordo com uma pesquisa da Quorum Brasil. Deficiência na limpeza e iluminação (23%) e frutas e verduras de má qualidade (16%) completam a lista das principais insatisfações.

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Comentários (2)

  • Murilo malvoni Reply

    Rodrigo, parabéns pelo assunto levantado. Muito pertinente.

    Uma pergunta: até quando você acredita que o crescimento do atacarejo será maior do que dos outros formatos?

    09/02/2017 at 13:20
  • Cesar Coutinho Reply

    Muito bom!
    Eh perceptível o aumento da frequencia do consumidor final no C&C.
    Entender no detalhe a representatividade do valor das transações movimentadas no canal pelo consumidor final vs o transformador (shopper profissional), pode ajudar na definicao do papel do canal, e consequentemente na implementacao da estratégia das marcas.

    13/02/2017 at 19:48

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